A Campanha da Fraternidade 2026, promovida pela Igreja Católica e pela CNBB, terá como tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O objetivo é conscientizar sobre o direito à moradia digna, destacando a realidade de milhões de brasileiros sem lar e privados de dignidade humana.
Em Mateus 8,20 lemos: “O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Jesus escolhe estar fora da posse e da propriedade, rejeitando a sacralização de um lugar específico para estar em todos os lugares, sobretudo onde a sociedade falhou, onde o sistema de moradia foi corrompido pela ganância e pela falta de solidariedade.
Jesus encarna o sem-teto para denunciar a desigualdade e alerta os que desejam segui-lo: “Não tenho onde reclinar a cabeça”. Com isso, não sacraliza o sofrimento, mas chama ao compromisso com o evangelho e à partilha. A dimensão de habitar está presente no conceito de Shekinah, que significa “Deus habitando”, e o próprio Cristo é considerado templo.
A Campanha da Fraternidade é, ao mesmo tempo, teológica e social, dimensões inseparáveis. O Papa Francisco e, mais recentemente, o Papa Leão XIV reforçam esse sentido ao pedir “terra, teto e trabalho” como virtudes do evangelho e direitos fundamentais da pessoa humana.
O tema “Fraternidade e Moradia” amplia o debate sobre desenvolvimento socioeconômico e busca superar os conflitos relacionados à habitação, tanto nas cidades quanto no campo, diante da omissão ou incompetência do poder público. Segundo a CNBB, cerca de 118 milhões de pessoas vivem sem moradia ou condições precárias. Parte estão em situação de rua, ocupações, aluguel social, moradia de favor, abrigos, áreas de risco (como barragens e encostas), moradias inadequadas (sem título de posse, palafitas e etc.), cômodos únicos ou favelas.
Esse contingente revela não apenas vulnerabilidade social, mas também um potencial econômico desperdiçado. A falta de moradia estável compromete a inserção produtiva, a qualificação profissional e a mobilidade social, perpetuando um ciclo de exclusão que sobrecarrega o Estado. Experiências como o programa “Minha Casa, Minha Vida” mostraram que políticas habitacionais podem dinamizar a economia, gerar empregos e reduzir déficits estruturais. Contudo, a construção periférica e desconectada dos centros produtivos evidenciou limitações significativas.
Por outro lado, a especulação imobiliária, a reserva de mercado de aluguel e os interesses econômicos ligados à exploração imobiliária e fundiária travam iniciativas como a reocupação social de imóveis privados ou públicos abandonados. No campo, a realidade é semelhante: grandes latifúndios e a ausência de uma reforma agrária ampla impedem o acesso à moradia e à terra para cultivo, manutenção essencial para evitar o êxodo rural.
Uma solução eficaz exige abordagem integrada: moradia digna, inserção produtiva e proteção de renda transitória. Programas de locação social subsidiada e requalificação de imóveis ociosos em áreas centrais podem ser mais ágeis e eficientes do que a expansão urbana dispersa. Paralelamente, a articulação com formação técnica e universitária transforma beneficiários em agentes econômicos ativos. O modelo internacional “Housing First” (EUA) demonstra que a estabilidade habitacional aumenta a permanência no emprego e reduz custos públicos em saúde e assistência.
A experiência chinesa mostra que construir moradias em larga escala não basta se o acesso for limitado por barreiras institucionais, como o sistema Hukou, que restringe direitos sociais a migrantes internos. Assim, a política habitacional precisa ser universal e inclusiva.
Portanto, enfrentar a falta de habitação digna não é apenas uma medida social, mas uma estratégia de desenvolvimento. A moradia deve ser compreendida como infraestrutura econômica capaz de ampliar produtividade, formalização e consumo interno. Transformar vulnerabilidade em capacidade produtiva é, ao mesmo tempo, um imperativo ético e uma exigência de racionalidade econômica.
Por último, mas não menos importante, um alerta a CNBB e a Igreja católica. O padre Júlio Lancellotti precisa ser inserido na campanha da “Fraternidade e Moradia” É muito incoerente sua ausência, a suspensão de suas redes sociais e sua invisibilidade. Revisem essa atitude com padre Júlio, pois a história contará que os poderosos da igreja católica criaram um novo “Jesus sem teto” em pleno século XXI.
Zélder Reis
Fontes e biografia:
CNBB Downloads
https://campanhas.cnbb.org.br/arquivos/
acessado em 17/02/2026
IPEA População
em situação de rua supera 281,4 mil pessoas no Brasil - Ipea
Agência Brasil Mais
de 335 mil pessoas vivem em situação de rua no Brasil | Agência
Brasil
Diocese de Campanha MG Formação sobre a campanha da fraternidade 2026. https://www.youtube.com/live/J_YeB2R2aD0?si=1NT8JeR6tkdMVOdA acessado em 17/02/2026
.jpg)



