quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Jesus sem teto


https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Est%C3%A1tua_Jesus_sem_teto_%28paisagem%29.jpg e Cartaz CF2026 CNBB

 A Campanha da Fraternidade 2026, promovida pela Igreja Católica e pela CNBB, terá como tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O objetivo é conscientizar sobre o direito à moradia digna, destacando a realidade de milhões de brasileiros sem lar e privados de dignidade humana.

Em Mateus 8,20 lemos: “O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Jesus escolhe estar fora da posse e da propriedade, rejeitando a sacralização de um lugar específico para estar em todos os lugares, sobretudo onde a sociedade falhou, onde o sistema de moradia foi corrompido pela ganância e pela falta de solidariedade.

Jesus encarna o sem-teto para denunciar a desigualdade e alerta os que desejam segui-lo: “Não tenho onde reclinar a cabeça”. Com isso, não sacraliza o sofrimento, mas chama ao compromisso com o evangelho e à partilha. A dimensão de habitar está presente no conceito de Shekinah, que significa “Deus habitando”, e o próprio Cristo é considerado templo.

A Campanha da Fraternidade é, ao mesmo tempo, teológica e social, dimensões inseparáveis. O Papa Francisco e, mais recentemente, o Papa Leão XIV reforçam esse sentido ao pedir “terra, teto e trabalho” como virtudes do evangelho e direitos fundamentais da pessoa humana.

O tema “Fraternidade e Moradia” amplia o debate sobre desenvolvimento socioeconômico e busca superar os conflitos relacionados à habitação, tanto nas cidades quanto no campo, diante da omissão ou incompetência do poder público. Segundo a CNBB, cerca de 118 milhões de pessoas vivem sem moradia ou condições precárias. Parte estão em  situação de rua, ocupações, aluguel social, moradia de favor, abrigos, áreas de risco (como barragens e encostas), moradias inadequadas (sem título de posse, palafitas e etc.), cômodos únicos ou favelas.

Esse contingente revela não apenas vulnerabilidade social, mas também um potencial econômico desperdiçado. A falta de moradia estável compromete a inserção produtiva, a qualificação profissional e a mobilidade social, perpetuando um ciclo de exclusão que sobrecarrega o Estado. Experiências como o programa “Minha Casa, Minha Vida” mostraram que políticas habitacionais podem dinamizar a economia, gerar empregos e reduzir déficits estruturais. Contudo, a construção periférica e desconectada dos centros produtivos evidenciou limitações significativas.

Por outro lado, a especulação imobiliária, a reserva de mercado de aluguel e os interesses econômicos ligados à exploração imobiliária e fundiária travam iniciativas como a reocupação social de imóveis privados ou públicos abandonados. No campo, a realidade é semelhante: grandes latifúndios e a ausência de uma reforma agrária ampla impedem o acesso à moradia e à terra para cultivo, manutenção essencial para evitar o êxodo rural.

Uma solução eficaz exige abordagem integrada: moradia digna, inserção produtiva e proteção de renda transitória. Programas de locação social subsidiada e requalificação de imóveis ociosos em áreas centrais podem ser mais ágeis e eficientes do que a expansão urbana dispersa. Paralelamente, a articulação com formação técnica e universitária transforma beneficiários em agentes econômicos ativos. O modelo internacional “Housing First” (EUA) demonstra que a estabilidade habitacional aumenta a permanência no emprego e reduz custos públicos em saúde e assistência.

A experiência chinesa mostra que construir moradias em larga escala não basta se o acesso for limitado por barreiras institucionais, como o sistema Hukou, que restringe direitos sociais a migrantes internos. Assim, a política habitacional precisa ser universal e inclusiva.

Portanto, enfrentar a falta de habitação digna não é apenas uma medida social, mas uma estratégia de desenvolvimento. A moradia deve ser compreendida como infraestrutura econômica capaz de ampliar produtividade, formalização e consumo interno. Transformar vulnerabilidade em capacidade produtiva é, ao mesmo tempo, um imperativo ético e uma exigência de racionalidade econômica.

Por último, mas não menos importante, um alerta a CNBB e a Igreja católica. O padre Júlio Lancellotti precisa ser inserido na campanha da “Fraternidade e Moradia” É muito incoerente sua ausência, a suspensão de suas redes sociais e sua invisibilidade. Revisem essa atitude com padre Júlio, pois a história contará que os poderosos da igreja católica criaram um novo “Jesus sem teto” em pleno século XXI.  

 Zélder Reis


Fontes e biografia:
CNBB Downloads https://campanhas.cnbb.org.br/arquivos/ acessado em 17/02/2026
IPEA População em situação de rua supera 281,4 mil pessoas no Brasil - Ipea
Agência Brasil Mais de 335 mil pessoas vivem em situação de rua no Brasil | Agência Brasil

Diocese de Campanha MG Formação sobre a campanha da fraternidade 2026. https://www.youtube.com/live/J_YeB2R2aD0?si=1NT8JeR6tkdMVOdA acessado em 17/02/2026

 



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Tarifa zero já!

 Passagem de ônibus mais cara? Tarifa zero já!

A Tarifa Zero no transporte público representa uma política de inclusão social ao garantir mobilidade como direito, e não como mercadoria. Ao eliminar o custo da passagem, amplia o acesso da população a emprego, saúde, educação e cultura, reduzindo desigualdades territoriais. A medida também estimula a economia local, pois aumenta a circulação de pessoas no comércio e nos serviços.

Toda vez que tem aumentos de tarifa pra compor os custos do sistema, a resposta social é menos passageiros e mais buscas pelo transporte individual, transformando a vida nas ruas da cidade em caos, com poluição, aumento do consumo de energia e acidentes no trânsito.

Experiências como a de Maricá mostram que é possível estruturar o modelo com planejamento e fontes próprias de financiamento. Além disso, o sistema simplifica a operação, reduz custos de bilhetagem e conflitos no embarque.

A Tarifa Zero contribui para diminuir a evasão escolar e facilitar o acesso a tratamentos de saúde. Também fortalece a vitalidade urbana, com mais pessoas ocupando os espaços públicos e menos carros e motos. Trata-se, portanto, de uma política que articula mobilidade, justiça social e desenvolvimento local.

Zélder Reis


domingo, 15 de fevereiro de 2026

Não fomente a intolerância prefeito!

Foto: Instagram Talk Show dos Lagos

O prefeito de Cabo Frio declarou:
“Esse é o único bloco que eu vou!
Queriam entregar a chave ao Rei Momo, mas eu não fui.
A chave dessa cidade é do Senhor Jesus, não do Rei Momo.”

Reflexão:
O prefeito não participa do carnaval, dos blocos e nem dos próprios eventos da prefeitura durante o período festivo. Isso revela não apenas falta de diálogo, mas também medo de críticas. Sua aprovação se sustenta apenas na bolha dos bajuladores, contratados, comissionados e fornecedores.

O carnaval é plural: reúne evangélicos, católicos, povos de matriz africana e tantas outras religiões. É festa de santos e pecadores, de fé e de cultura.

O que o prefeito pretende? Deturpar a festa? Se esconder atrás da identidade evangélica? Ele não pode atacar o carnaval, uma manifestação popular, de feita e apreciado pelo povo pobre, mas rica culturalmente, que gera faturamento para a cidade. Talvez busque agradar pastores aliados, já que com a família Bento não quer ouvir falar de Serginho.

Vale lembrar: há evangélicos e católicos em todos os espaços, partidos, quilombos, comunidades de pescadores, escolas e locais de trabalho. No carnaval, vai quem quer: alguns assistem pela TV, outros preferem retiros espirituais. O que não se pode é colocar a sociedade em guerra contra o carnaval ou boicotar os recursos pois cultura é um direito!

Prefeito, saia da internet e vá trabalhar para todos e todas!

Mensagem final:
Abraços carnavalescos Cabo-frienses. 
Brinquem o carnaval como quiserem, cada um à sua maneira!
Zélder Reis